Estive
pensando, nada é exatamente como imaginamos, queremos ou planejamos. Isso nós aprendemos
com o próprio viver, seja vendo a expectativa dos outros sendo frustradas ou as
nossas mesmas, o que dói mais do que ver a do próximo.
Em 1997 uma
de minhas sobrinhas faleceu aos dois anos de idade após pegar a terrível
meningite, deixando uma família inteira apaixonada e desolada. Isso não estava
nos nossos planos, nem muito menos nos nossos sonhos, mas assim aprouve a Deus
que quis aquela estrelinha ao seu lado. Imagina a dor que deve ter sentido a
minha irmã Andréia ao perder um de seus bebês e ainda conseguir forças para criar
Camilla que tinha quatro anos na época e Carla com apenas dois meses, mas assim
seguimos e conseguimos superar. Ainda sentimos saudades e lembramos com carinho
e ainda comparamos como seria se ela estivesse no meio das duas que ficaram e
eu te digo, seria muito bom, mas seria uma loucuuura, pois que personalidade
ela tinha, com apenas dois anos comandava Camilla que tinha quatro e já a fizera
pular da janela do apartamento que moravam (que por misericórdia de Deus dava
para a varanda) e também a fez subir em andaimes improvisados
(mesa+cadeira+banco) para alcançar o topo da geladeira para pegar uma caixa de
chocolates, a pobrezinha não soube descer e a esperta chamou a mãe para
socorrer a irmã, isso claro, depois de ter conseguido a caixa de chocolates.
2007 foi um
ano que mais uma vez a família se abateu, a matriarca se foi e deixou muitas
saudades, conselhos e recomendações. Minha avó materna Ruth controlava tudo e
todos muitas vezes só pelo telefone, outras vezes com visitas, outras no
entanto chegavam até ela pedindo colo ou conselhos.
Não estava
nos nossos planos nem sonhos essa perda, mas apenas um tem o controle da vida e
Ele deve ter considerado que ela combateu um bom combate, completou a carreira
e guardou a fé.
Imagina só,
que eu sonhava que ela fosse ao meu casamento, visse meus filhos nascerem e
ainda participasse muito da minha vida. Mas eu louvo a Deus por ela tê-Lo
conhecido e O servido dois meses antes de morrer.
Ela teve um
aneurisma no coração e fez a cirurgia para colocar uma válvula que corrigiria o
problema, mas na incisão para a entrada da válvula uma veia se rompeu e passou
despercebida, consequentemente ela teve hemorragia interna o que causou vários
AVC’s e falta de oxigenação no cérebro e por fim uma infecção hospitalar.
Não sei se
procede o relato acima, mas foi a explicação que recebemos dos médicos que por
falta de pressa (NEGLIGÊNCIA) no socorro ela sofreu tudo isso.
O pior é
que não importa a forma que foi, pois se Deus a quis não adiantaria a melhor
equipe médica nem a maior vontade de viver Ele a levaria de qualquer jeito.
No entanto
estamos aqui, sobrevivendo, morrendo de saudades até hoje com a família não
mais tão unida em presença porém muito mais serena e com menos atritos.
Na véspera
de ano novo em 2009 faleceu meu avô paterno, grande “Senhor Wilson” como o
chamávamos brincando por causa de uma propaganda de televisão.
Não convivi
muito com ele, mas conheci o suficiente para saber o quanto ele era correto,
homem irrepreensível, homem de Deus, reto diante da palavra do Senhor.
Dolorosa
perda. Ele teve um câncer severo que se espalhou pelo corpo, sofreu muito até
chegar o dia de sua morte. Mas eu acredito que deve descansar ao lado de Cristo
hoje, na vida eterna, sem dor ou mácula.
Em 2011 mais
uma avó, dessa vez foi Odete, paterna. Ela era agitada, ativa, falante,
reclamona, mas um amor, uma mulher reta que amava a Deus e prezava pela
família.
Quando o
meu avô ficou doente já foi um grande baque no emocional dela e depois ainda
teve um episódio em que eles receberam um trote daqueles que fingem que o (a)
filho (a) da pessoa foi sequestrado e eles quase caíram, ainda chegaram a sair
de casa de madrugada para sacar dinheiro no banco para salvar a filha que
supostamente estaria em perigo, quando o taxista desconfiou que fosse trote e
ligou para o celular da minha tia que estava em casa dormindo. Se pessoas
jovens já tomariam um susto suficiente para deixar de cama numa situação dessas
(e eu já caí em uma com a minha irmã, nos ligaram dizendo que nosso pai estava
com eles) agora imagina um velho com câncer e uma velha já arrasada com o
câncer do marido, ainda teve o falecimento do mesmo que já era previsto. Logo
depois se agravaram os sinais do Alzheimer nela (não sei se realmente tem
ligação os fatos citados, mas eu na minha ignorância imagino que sim). Bom,
enfim, depois de tanto susto e a agressividade do Alzheimer ela também
descansou em paz.
Devem estar
se perguntando o porquê deste post tão mórbido, se eu estou grávida e deveria
apenas falar de vida, mas na verdade enquanto uns nascem outros morrem essa é a
lei do viver e quem sofre com a morte das pessoas queridas somos nós que
estamos vivos que sentimos saudades, porque eles estão muito melhores do que
nós (apesar de esse assunto ser bem polêmico e relativo já que ninguém pode ter
certeza da salvação do próximo).
O que eu
gostaria de ressaltar é a saudade que eu sinto dessas pessoas que foram tão
importantes na minha vida e que eu queria que eles estivessem presentes nesse
momento tão importante para mim, principalmente a minha avó Ruth, talvez eu
possa chamar de frustração essa sensação, já que as coisas não aconteceram como
eu sonhava, mas eu tenho a agradecer a Deus por ainda ter várias pessoas
importantes e maravilhosas para curtir esse momento.
Meu bebê
terá apenas um bisavô por parte de pai, o Sr. Manoel (pai da minha sogra), um
amor de pessoa e eu espero que ele possa curtir bastante esse bisavô e que
tenha muitas lembranças boas dele, da pessoa maravilhosa que ele é. Avós graças
a Deus ele ainda tem os quatro e com a permissão do Senhor poderá os curtir
bastante, até porque não tem coisa mais gostosa do que casa de avós e mimos de
avós. Avós são um porto seguro e são cheios de histórias para nos contar, é uma
convivência maravilhosa. Além de várias tias e tios-avós, tios e tias, primos e
primas e muitos amigos.
Obrigada
Deus!










